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sexta-feira, 11 de abril de 2008

Dose dupla de John Cassavetes

John Cassavetes é um dos mais importantes realizadores do cinema americano. O nome mais festejado do Cinema Subterrâneo de Nova York, desde fins dos anos 50, quando um vento novo se espraiava pela cinematografia do mundo inteiro (Cinema Novo, Brasil, Free Cinema, Inglaterra, Nouvelle Vague, França...), Shadows (cujo trailer vai aqui) foi não apenas uma surpresa como uma revelação. Poder-se-ia dizer que John Cassavetes é o pai do cinema underground cujos tentáculos atingiram o cinema brasileiro na segunda metade da década de 60, ainda que as influências maiores do carro-chefe underground nacional tenham sido Orson Welles e Jean-Luc Godard em O bandido da luz vermelha (1968), de Rogério Sganzerla. Mas o exemplo de Cassavetes ficou no imaginário dos realizadores mais antenados. Realizou depois muitos outros filmes importantes, a exemplo de Faces, Os maridos, Assim falou o amor, entre muitos outros.
Lançado em 1959, Shadows aborda o racismo a partir de uma trama de amor sofrida. Lelia (Lelia Goldoni) é uma jovem mulata que após viver uma aventura com um rapaz branco, numa noite, tem de lidar com o fato de que o desprezo dele por ela é relativo à sua cor.
Certa ocasião, perguntado sobre a sua motivação de fazer filmes, disse: "Se eu puder, farei filmes com não-profissionais, com pessoas que se permitem sonhar com uma recompensa diferente do dinheiro, pessoas com um desejo frenético de participar de algo criativo sem saberem exatamente o quê. Fazer filmes é prazer em estado puro",
O cineasta baiano José Umberto, autor de Revoada, é um dos grandes admiradores de John Cassavetes.

O outro vídeo é de Faces (1968), outro ensaio de Cassavetes.



Um comentário:

Jonga Olivieri disse...

Charlie Mingus compôs uma música incrível para um filme de Cassavetes. Chama-se "Sinfonia em Times Square". Tive o vinil dele há muito tempo atrás, mas não mais a ouvi.
Em "Shadows", logo após a apresentação surge uma música de Mingus (consta nos créditos), mas não deu para identificar, pois logo se dissipa entre os diálogos da primeira cena.
Mas os letreiros de "Shadows", aparentemente uma "festa brava" com drogas rolando soltas no "submundo manhataniano", é muito interessante.
Quanto a "Faces", seus closes, tudo a ver com o título.
São curtas? Pergunto porque mal conheço a obra de Cassavetes antes de sua ida para o cinema "convencional" principalmente como ator (Rosemary's baby, Os doze condenados e outros).
Do cinema independente novaiorquino me lembro bem de "O incidente" (1967) de Larry Pearce, um filme tenso, passado no metrô em que dois marginais ocupam um vagão...

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