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quinta-feira, 1 de maio de 2008

"Da terra nascem os homens", de Wyler

O adolescente que fui, ao ver Da terra nascem os homens (The big country), ficou assombrado com a sua dinâmica e com a beleza de seu cinemascope, a trama envolvente, os intérpretes perfeitos. O cinema, na sua cabeça jovem, passou a ser sinônimo de filmes como The big country. Tragédia familiar cuja ação se localiza no velho Texas, Da terra nascem os homens, dirigido por William Wyler, o grande jansenista da tela, tem como elemento deflagrador um rico bostoniano pacífico (Gregory Peck) que ao chegar ao Texas vem a provocar uma crise. No elenco, além de Peck, Charlton Heston, Jean Simmons, Carroll Baker, Burl Ives. Obra magistral!


Maurice Jarre faz homenagem a David Lean

Passagem para a Índia foi o opus derradeiro de David Lean, um grande narrador clássico do cinema. Maurice Jarre faz, aqui, neste post, uma homenagem a Lean com sua orquestra monumental. Realizador inglês, Lean se especializou em produções caríssimas e longas, a partir de A ponte do rio Kwai. Depois vieram Lawrence da Arábia, Dr. Jivago, A filha de Ryan (belíssimo com a partitura de Jarre enquanto Sarah Miles tenta captar a sua sombrinha que se vai com o vento sob o olhar angustiado de Robert Mitchum). Antes, porém, nos anos 40, já se destacara como diretor de Desencanto (Brief encounter), filme intimista e inventivo (a mulher tagarela no metrô), Oliver Twist, entre outros. E Summertime, um belo filme com Katherine Hepburn como uma americana que vai a Veneza pela primeira vez e, sozinha, acaba por se apaixonar por Rossano Brazzi. Assim como chamei a atenção para a partitura de John Barry em Out of Africa, ainda que não tenha Jarre como um dos meus compositores preferidos, acho que ele acertou em cheio nesta sinfonia que é Passagem para a Índia.


quarta-feira, 30 de abril de 2008

"Entre dois amores", de Sydney Pollack

A partitura de Entre dois amores (Out of Africa, 1985), de John Barry, neste filme dirigido por Sydney Pollack, é destinada ao êxtase. Com Robert Redford, Meryl Streep, Klaus Maria Brandauer (de Mephisto), Out of Africa foi filmado in loco e tem uma paisagem deslumbrante. Casada por conveniência (Streep) com aristocrata desinteressado (Brandauer), e apaixonada por aventureiro galante (Redford), escritora recorda a juventude passada em fazenda africana. Pollack dirige com a sua habitual competência, embora diretor nunca medíocre mas de carreira irregular. Neste filme acerta em cheio, mas muito do seu fascínio se deve à música de John Barry.




terça-feira, 29 de abril de 2008

"Sem lei e sem alma", de John Sturges

Em Salvador, havia um cinema, o Pax, considerado poeira, que passava programa duplo e fazia a alegria da garotada. Os filmes, quando eram exibidos nesta sala, tinham sua classificação etária diminuída (e não se sabe bem o motivo). Se era probido, no circuito de primeira, para menores de 18 anos, no Pax passava proibido para 14. E, além de um preço módico (atualmente existe uma cruel exclusão do povo com os ingressos astronômicos dos complexos Multiplex e o fechamento dos cinemas de rua; a rigor, os menos aquinhoados pela sorte não vão mais ao cinema, o que vai se refletir no futuro). Numa dessas sessões foi que vi, no glorioso ano de 1960, quando a vida, para mim, era ainda um devir, uma estrada de sonhos e perspectivas (hoje resta-me a constatação de sua finitude e a angústia de estar-no-mundo), Sem lei e sem alma (Gunfight at the O.K. Corral , 1957), de John Sturges, com Kirk Douglas, Burt Lancaster, Rhonda Fleming, Jo Van Fleet, John Ireland, Dennis Hopper, De Forest Kelley, um western primoroso, um espetáculo emocionante, que me deixou adolescente extasiado. A partir mesmo da apresentação, com a voz de Franklin Lane, e a partitura (para ficar sempre no ouvido) de Dimitri Tiomkin. Sobre ser uma versão de uma obra-prima, Paixão dos fortes (My darling Clementine, 1946), do mestre John Ford, com Henry Fonda (inesquecível na cena em que está no barbeiro a se preparar para ver a amada), Victor Mature, Gunfight at the O.K. Corral tinha um marco diferencial que o fazia um outro filme, menos poético que a obra fordiana, mas um espetáculo magistral que revelava em Sturges um realizador de uma carpintaria fenomenal para o despertar da emoção, para a emergência do assombro pelo sábio toque das convenções clássicas do artesanato westerniano. Burt Lancaster (ator soberano, fazia o papel de Wyatt Earp) e Kirk Douglas (que poucos anos depois seria o Spartacus, Doc Holliday, o médico tuberculoso, exímio atirador de facas e jogador compulsivo) davam as cartas da emoção neste western de um cineasta que deveria ser mais lembrado, mais citado, mais visto, mais aplaudido, que é John Sturges (Conspiração do silêncio/Bad day at Black Rock, com Spency Tracy, Robert Ray, bela paráfrase do macarthismo, 1954, Punido pelo próprio sangue/Backlash, com Donna Reed e Richard Widmark, que morreu recentemente e, por isso, ponho aqui uma lágrima, Duelo na cidade fantasma/The law and Jack Wade, com o velho Widmark e Robert Taylor, Duelo de Titãs/Last train from Gun Hill, com Douglas e Anthony Quinn, 7 homens e um destino/The Magnificent seven, e, querem mais? - o bravo Sturges tem muito mais - Fugindo do inferno, mas a colocação aqui de seus triunfos explodiria o post, que se quer de tamanho drops Dulcora).
O fato é que Sem lei e sem alma é um filme que faz parte de minha relação afetiva, quase uma madeleine proustiana.


domingo, 27 de abril de 2008

"Absolutamente certo", de Anselmo Duarte

Em pleno reinado da chanchada, um filme especial: Absolutamente certo (1958), comédia de costumes que marca a estréia do galã Anselmo Duarte na direção cinematográfica. Duarte mostra uma desenvoltura surpreendente no estabelecimento das situações, a contar sua simples história com arte e engenho. Um homem dotado de memória prodigiosa entra num concurso de tv para provar que sabe de cor todo o catálogo telefônico de São Paulo. Noivo de uma bela garota sua vizinha, cuja mãe é a histriônica Dercy Gonçalves, ele, de repente, fica famoso, mas pessoas mal intencionadas pretendem que ele erre para ganhar apostas milionárias. Além de Anselmo Duarte, Aurélio Teixeira, Odete Lara (a maior atriz do cinema brasileiro), Dercy, e a belíssima Maria Dilnah, que largou o cinema para se casar e ter criar filhos. Pena! . Absolutamente certo é uma crônica de costumes, um olhar gracioso sobre a vida pacada numa São Paulo que, vista hoje, tem um ar provinciano.
Duarte, para quem não sabe, quatro anos depois, em seu segundo longa, ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes em 1962 por causa de O pagador de promessas. Que é, até hoje, o único brasileiro que ganhou a Palma de melhor filme.