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domingo, 20 de abril de 2008

"Viver por Viver", de Claude Lelouch

Visto com muita reserva pela crítica, o fato é que Claude Lelouch tem uma mise-en-scène muito própria, envolvente, que me delicia. Tem, em sua filmografia, filmes extraordinários, bem urdidos, bem feitos, inteligentes, como Um homem como poucos (Le voyou, 1973), que a própria crítica ranheta se dobrou e aplaudiu (quem se lembra de Le voyou?), A vida, o amor e a morte (1969), sobre a pena capital, com Amidou, sem falar de Um homem...uma mulher (Un homme et une femme, 1966). Logo depois deste, em 1967, realizou uma obra fascinante, que, lançada na época, nunca mais reapareceu. Trata-se de Viver por viver (Vivre por vivre), com Yves Montand, a bela e cativante Candice Bergen no auge de sua beleza, e Annie Girardot, uma das mais expressivas atrizes do cinema francês (quem pode, de sã consciência, esquecer-se dela em Rocco e seus irmãos/Rocco i suoi fratelli, 1960, de Luchino Visconti? Lelouh tem uma mise-en-scène que, em alguns momentos, é pioneiro do cinema publicitário (no bom sentido), com a envolvência de suas tomadas embaladas pela partitura de Francis Lai. O que não quer dizer que seja, ao dar as coordenadas do cinema publicitário moderno, comercial, mas muito pelo contrário. É sua maneira de filmar e nos encantar. Há estesia na maioria de seus filmes. Claude Lelouch é um poeta das imagens. A prova disso está no convite feito a ele, ano passado, pelo organizador da mostra internacional de São Paulo, Leon Cakoff, para vir ao Brasil como seu convidado especial. Há um filme dele, Il y a des lunes et des jours (1990), não exibido comercialmente no Brasil, que considero uma pequena obra-prima. Chamam-no de maneirista, virtuoso, mas Lelouch transcende aos termos empregados, pois a sua virtuose se encontra bastante contextualizada com a poética de suas fábulas, a misturar, sempre, de maneira indissociável, o elo sintático com o elo semântico.




3 comentários:

Jonga Olivieri disse...

Não é brincadeira, mas quantas vezes eu ouvi em reuniões com clientes:
- ... sim, uma cena romântica, como no filme “Um homem, uma mulher"!
A verdade é que o "poeta da imagem e do amor", Claude Lelouch, inspirou bons (e até péssimos) comerciais publicitários.
Em "Viver por viver", o dilema de Montand entre a "jeunesse" de Candice Bergen e a beleza "balzaquiana" de Annie Girardot (no auge de sua beleza tipicamente francesa) é um dos momentos mais emocionantes do cinema, que é a arte da emoção por excelência.
Quanto a "Um homem, uma mulher", está marcada definitivamente nas nossas memórias a sua grandiosa homenagem a tudo o que pode envolver a relação de um casal... na simplicidade de sua abordagem.
Toda grande idéia é simples. Por isto talvez a publicidade sempre tenha corrido tanto atrás da 'poética lelouchiana'.
Tiremos o chapéu para a sua genialidade.

Anônimo disse...

só filma o amor
quem teve infância
feliz

ex.cinéfilo

Clovis Lavorato disse...

Simplesmente fantástico, tecnicamente perfeito, Claude Lelouch trabalha no plano do emocional, seus filmes são como um sonho, que a gente não tem vontade de acordar!