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terça-feira, 17 de junho de 2008

Dio come ti amo

A crítica, na época, abominou, mas o público adorou. Estou a me referir a Dio come ti amo (1966), de Miguel Iglesias, melodrama bem água-com-açucar (como se dizia antigamente), que se constituiu num fenômeno de bilheteria. Basta dizer que ficou mais de 24 semanas (mais de dois anos, portanto) em cartaz num único cinema em Salvador, o Nazaré, com sessões lotadíssimas todos os dias. Aos sábados e domingos, com sessões às 14, 16, 18, 20 e 22 horas, era preciso que se chegasse duas horas antes para se poder comprar o ingresso. Com Gigliola Cinquetti (que canta a canção-tema, principalmente no final apoteótico, quando seu amado (Mark Damon), já dentro do avião, prestes a decolar, ouve, pelo alto-falante, Gigliola no aeroporto a cantar. O público veio abaixo. Trata-se de uma co-produção entre a Itália e a Espanha, com um ranço anedótico e melodramático mais deste último. Lembro-me que vi, dentro da sala exibidora, muito intelectual enragé que procurava se esconder quando via algum conhecido com vergonha de ali estar. Há um outro filme que fez sucesso parecido, mas de outra qualidade, de outro nível: O candelabro italiano (Rome adventures, 1963), com Rossano Brazzi, Troy Donahue, Suzanne Pleshette. Não é indicado para post de um blog Momentos da arte do filme, mas blog é para estas coisas.


3 comentários:

Armando Maynard disse...

Sensibilidade é isso aí.Parabéns por ver o cinema por esta ótica,principalmente vindo de você que conhece bem esta arte. Por coincidência postei modestamente no mesmo dia que você, um artigo no blog (lygiaprudente.blogspot.com),que citava o mesmo filme. Somos saudosista e por que não românticos. Um abraço, Armando

Lúcia Leiro disse...

Li em algum lugar, não me lembro onde, que o que mais causa impacto no espectador não é a lágrima que escorre pela face, mas ver os olhos gradativamente lacrimejarem-se, até transbordarem.

No filme, não pude deixar de pousar o meu olhar na expressão do ator enquanto ouvia a voz da amada saindo (com orquestra e tudo) pelo alto-falante do aeroporto. E o detalhe para o sutil movimento na região do pescoço: ele "engole seco", como se afetado por uma grande e arrebatadora emoção. Ponto para a performance do ator e para, obviamente, o blog de Andre.

Anônimo disse...

só queria dizer q 24 semanas não são dois anos, dois anos seriam 24 meses, mais tudo bem...só pra zoar um pouquinho mesmo..rsrs valeu