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segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

"O rato que ruge"

Difícil se ver hoje uma comédia tão talentosa como O rato que ruge ( The mouse that roared, 1959), de Jack Arnold (realizador notável: O incrível homem que encolheu, entre outros). E mais: filme que desapareceu de circulação e não se pode encontrá-lo em DVD nem pode ser visto nas grades programativas das televisões a cabo ou por assinatura. Mas a memória o guardou como uma comédia de rara inteligência, de profunda ironia, plena de gags inteligentes. A dificuldade em encontrá-lo parece que é devido a problemas de distribuição, porque filme oriundo da Inglaterra, embora distribuído para o mundo pela americana Columbia.
O rato que ruge mostra como um pequeno país em grave crise financeira declara guerra aos Estados Unidos. Os seus dirigentes raciocinam da seguinte maneira: como perderão a guerra, destroçados, o país receberá ajuda internacional para se reerguer, e, com isso, todos os seus problemas financeiros estarão sanados. Vê-se logo o sui generis da base do argumento. Vinte homens armados de arco e flecha pegam uma barcaça e chegam aos Estados Unidos. Mas surge um problema que não estava nos planos estratégicos: eles ganham a guerra.
Com o impagável Peter Sellers (já antecipando seus variados papéis em Dr. Fantástico, pois faz aqui a Grã-Duquesa, o primeiro-ministro e mais dois personagens), Jean Seberg (que neste mesmo ano, 1959, se tornaria eterna como a Patricia de Acossado/A bout de souffle, de Jean Luc Godard), Leo McKern, entre outros notáveis do cinema inglês.


terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Temas de "Viver por viver", de Claude Lelouch

Momentos de um filme que exerce um encantamento particular no espectador, este Viver por viver (Vivre pour Vivre, 1967), de Claude Lelouch, cineasta francês incompreendido e que a crítica gosta de menosprezar, mas não se pode fechar os olhos diante de Un homme...une femme, Os miseráveis, Um homem como poucos (Le vouyou, este um dos melhores exemplos de seu imenso talento), O homem que eu amo (Un homme qui me plait), Dias de Lua Cheia (Il y a des jours e des lunes), entre tantos outros. Lelouch é um poeta. Creio que basta!




quarta-feira, 29 de outubro de 2008

"A mulher do tenente francês"

A mulher do tenente francês (The french lieutenant's woman, 1991) parece que foi para a vala comum do esquecimento. O que é um absurdo, pois um filme muito bom, uma obra que reflete, com especial engenho e arte, o processo da criação cinematográfica. Quem frequentou cinema na década de 60 deve estar lembrado de Karel Reiz, diretor inglês que fez parte do Free Cinema, a renovação do cinema britânico (uma espécie de Nouvelle Vague inglesa). Reiz revelou para o mundo o talento de Albert Finney em Tudo começou num sábado (Saturday night and sunday morning, 1960), um filme sobre a classe operária da Inglaterra, filmado in loco. Finney despontaria com estridência em Tom Jones, de Tony Richardson (outro renovador dos alicerces acadêmicos da escola inglesa ao lado de Reisz, John Schlesinger, Lindsay Anderson, entre outros). Em The french lieutenant's woman temos dois grandes intérpretes nesta obra de singularidade e talento: a extraordinária Meryl Streep e o fleugmático Jeromy Irons (maiores informações sobre o filme no meu blog: http://setarosblog.blogspot.com). Vejam o trailer:


sábado, 18 de outubro de 2008

"Rio Bravo"

Este blog, tão desatualizado, volta com um momento especial da arte do filme: Onde começa o inferno (Rio Bravo, 1959), de Howard Hawks, uma resposta deste excepcional realizador aos westerns psicológicos que então estavam a aparecer (Billy the Kid, com Paul Newman, de Arthur Penn, entre outros). É, na verdade, além de um filme de ação, uma observação sobre o comportamento humano. Com poucas cenas de ação, o filme se passa quase todo dentro de uma delegacia e no interior de um hotel. É o homem e suas artimanhas que interessa a Howard Hawks. A se reparar em sua rica filmografia, dividida entre a comédia louca e o western e os filmes de aventuras, nestes os personagens se encontram sempre à espera de algo acontecer. No caso de Rio Bravo, à espera do tiroteiro final para a resolução do conflito. No caso de Hatari!, à espera do momento de caçar. Entre outros exemplos. Hawks sabe, como poucos (e, entre eles, Billy Wilder, Alfred Hitchcock...) elaborar os finais de seus filmes com engenho e arte. Em Rio Bravo (filme que tornaria Dean Martin um ator respeitável após a dissolução da dupla que fazia com Jerry Lewis), o fecho é de uma graça extraordinária. Findo o conflito, John Wayne vai procurar Angie Dickinson no hotel e, quando a encontra, ela o derruba na cama ("a única derrota do cowboy invencível") e joga seu chapéu pela janela que vai cair em cima de Dean Martin e Walter Brennan, que, bêbados, comemoram o desenlace.


sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Como matar sua esposa, de Quine

E aqui temos um grande momento de Como matar sua esposa (How to murder your wife, 1965), de Richard Quine, o mesmo realizador do post anterior que mostra uma belíssima cena de O nono mandamento. O crítico e pesquisador Sérgio Andrade tem razão quando diz que "a câmera descendo pelo corpo da Kim no final da cena é genial!" Quine é um caviar para ser apreciado com cuidado e admiração. Há engenho e arte em suas comédias, e sabe, como poucos, explorar a beleza das mulheres, a exemplo de Kim Novak e , aqui, em How to murder your wife, a graça e o encanto de Virna Lisi a sair, divina, de um bolo gigante para a estupefação de um Jack Lemmon embriagado. Tenho muito de minha formação cinematográfica, devo confessar, neste período do cinema americano no qual havia um refinamento e uma sofisticação indiscutíveis (Charada, de Stanley Donen, Bonequinha de luxo, de Blake Edwards, entre tantas e tantas outras que daria para ficar citando pelo blog adentro). Infelizmente, o caldo cultural contemporâneo está distante de toda essa finesse. Pena!


quinta-feira, 18 de setembro de 2008

O nono mandamento, de Richard Quine

Uma pequena obra-prima O nono mandamento (Strangers when we meet, 1960), do grande Richard Quine (há comédia mais genial do que Como matar sua esposa, com Jack Lemmon, Terry Thomas e Virna Lise? E o que dizer de Aconteceu num apartamento ou Quando Paris alucina, com William Holden e Audrey Hepburn, entre tantas outras?). Kirk Douglas, neste melodrama de alta densidade de sofisticação, é um arquiteto casado que se apaixona por sua vizinha, a esfuziante Kim Novak, também casada como ele. O tema, hoje, batido, mas na época o adultério ainda fazia certo furor. Mas o que importa mesmo em O nono mandamento é a beleza de sua mise-en-scène, o talento de Quine como regista, os atores magníficos. Além do Spartacus, e da Madeleine, Barbara Rush e Walter Matthau. Filme esquecido que não se encontra em DVD nem passa em canal por assinatura. Será que a Confraria dos Baixistas consegue tirá-lo via download?


quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Modesty Blaise, de Losey

Modesty Blaise (1967), de Joseph Losey, condensa a cultura pop dos esfuziantes anos 60 com a paródia dos filmes à la James Bond, com a maravilhosa Monica Vitti dos filmes de Michelangelo Antonioni, uma mulher que encantou o século passado aqui num trecho do filme ao lado de Terence Stamp, o anjo pasoliniano de Teorema. Sob a direção de um talento que atende pelo nome de Joseph Losey (o seu O criado/The servant é uma obra de mestre).


terça-feira, 17 de junho de 2008

Dio come ti amo

A crítica, na época, abominou, mas o público adorou. Estou a me referir a Dio come ti amo (1966), de Miguel Iglesias, melodrama bem água-com-açucar (como se dizia antigamente), que se constituiu num fenômeno de bilheteria. Basta dizer que ficou mais de 24 semanas (mais de dois anos, portanto) em cartaz num único cinema em Salvador, o Nazaré, com sessões lotadíssimas todos os dias. Aos sábados e domingos, com sessões às 14, 16, 18, 20 e 22 horas, era preciso que se chegasse duas horas antes para se poder comprar o ingresso. Com Gigliola Cinquetti (que canta a canção-tema, principalmente no final apoteótico, quando seu amado (Mark Damon), já dentro do avião, prestes a decolar, ouve, pelo alto-falante, Gigliola no aeroporto a cantar. O público veio abaixo. Trata-se de uma co-produção entre a Itália e a Espanha, com um ranço anedótico e melodramático mais deste último. Lembro-me que vi, dentro da sala exibidora, muito intelectual enragé que procurava se esconder quando via algum conhecido com vergonha de ali estar. Há um outro filme que fez sucesso parecido, mas de outra qualidade, de outro nível: O candelabro italiano (Rome adventures, 1963), com Rossano Brazzi, Troy Donahue, Suzanne Pleshette. Não é indicado para post de um blog Momentos da arte do filme, mas blog é para estas coisas.


domingo, 15 de junho de 2008

Aquele que sabe viver

Dino Risi introduz a tragédia na comédia e, em Aquele que sabe viver (Il sorpasso, 1962), o que retrata é uma Itália já refeita do drama da guerra num cinema pós-neo-realista. Neste momento em particular, registrado aqui em imagens, há, no diálogo entre Vittorio Gassman e Jean-Louis Trintgnant, uma referência à monotonia dos filmes de um colega de Risi e muito querido: Michelangelo Antonioni. Il sorpasso virou um cult e é imensamente prestigiado pela crítica mundial - e saiu em DVD em cópia reluzente, luminosa, restaurada, com um extra imperdível: uma longa entrevista com o mestre Risi, que fala do filme, da Itália, do cinema, além de umas palavras de um Vittorio Gassman, também nos extras, já no fim de sua trajetória, mas ainda um ultrapassador, um homem do seu tempo, um artista imenso.







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